Um dos grande problemas das projeções é que é possível conseguir, ao mesmo tempo, uma visão mais exata no tamanho (proporção) e nas formas das áreas mapeadas. É necessário priorizar um desses dois elementos em detrimento do outro.
As projeções que valorizam o tamanho, conhecida como equivalentes, acabam prejudicando o formato das áreas. E as projeções que priorizam o formato, chamadas de conformais, sacrificam as proporções.
A projeção de Mercator – é uma projeção cilíndrica e a primeira projeção cartográfica considerada moderna, feita no século XVI pelo matemático, geógrafo e cartógrafo Gerhard Mercator (1512 – 1594).
Como todas as outras , essa projeção tem pontos positivos e pontos negativos. Foi criada quando os europeus empreendiam viagens por todo o mundo, à época das Grandes Navegações e hoje é a preferida da maioria dos navegadores e também utilizadas nos livros didáticos e atlas geográficos.
é uma projeção conformal, que se preocupa com as formas e menos com o tamanho relativo de cada área. Reproduz mais ou menos corretamente o tamanho e o formato das áreas situadas na zona intertropical, mas exagera na projeção das áreas temperadas e polares.
O tamanho da Europa no mapa múndi, parece que é maior que o Brasil, quando na realidade é bem menor. As dimensões da Groenlândia, que parece ter a mesma área do Brasil ou da Austrália, quando é cerca de quatro vezes menor: O Brasil tem 8.514.877 Km² e a Austrália 7.741.220 km²; a Groenlândia, apenas 2.175.600 km².
A projeção de Gall-Peters – é uma projeção, também, cilíndrica, foi concebida em 1885 pelo cartógrafo escocês James Gall (1808-1895) e retomada em 1952 pelo historiador alemão Arno Peters (1916-2002). Peters imaginou que ela seria mais propicia aos países subdesenvolvidos, pois corrige a distorção que existe na projeção de Mercator, na qual a Europa e a América do Norte parecem maiores do que realmente são, e a América do Sul e a África parecem menores.
A projeção imaginada por Gall é do tipo equivalente, ou seja, tem maior preocupação não com as formas, mas com a proporção, o “tamanho relativo” de cada área mapeada. Por isso, ela procura fazer um retrato mais ou menos fiel do tamanho das áreas, embora acabe, muitas vezes, distorcendo os formatos.
Nessa projeção, comparar a Europa com o Brasil, por exemplo, é mais importante que dar a forma exata dessas áreas. O planisfério desenhado de Gall-Peters, apresenta um alongamento das áreasno sentido norte-sul ou no sentido leste-oeste. A África e a América do Sul ficam alongadas no sentido norte-sul e estreitas no outro sentido. Com a Rússia e o Canadá ocorre o inverno: esses países ficam alongados no sentido leste-oeste e estreitos no sentido norte-sul.
Como as demais, a projeção de Gall-Peters tem como aspectos positivos o fato de permitir comparar o tamanho de países ou continentes. Nessa projeção o Brasil fica maior que o Brasil, e a Groenlândia fica bem menor que a Austrália. O aspecto negativo é que o formato das áreas é completamente distorcido. O Brasil fica exageradamente alongado no sentido norte-sul, embora possua quase a mesma distância nos dois sentidos, o norte-sul e o leste-oeste. O mesmo ocorre com a África. O Canadá alonga-se no sentido leste-oeste, como se fosse bem maior que no sentido norte-sul, o que também não é verdade.
A projeção de Robnson – foi criada em 1963 pelo geógrafo e cartógrafo norte-americano Arthur Robnson, é do tipo intermediário – nem equivalente nem conformal – e procura chegar a um meio-termo, mantendo mais ou menos as formas e as proporções entre as áreas mapeadas.
Muito utilizada na representação de planisférios , é a mais comum para uso didático, tendo sido recomendada a professores pela Associação dos Geógrafos norte-americanos.
Entretanto, como acontece em todas as outras, também existem distorções nessa projeção. Não é possível manter, ao mesmo tempo e com perfeição, as formas, o tamanho e as distâncias entre as áreas. Assim, essa projeção deforma algumas áreas – por exemplo, as regiões de altas latitudes como a Antártida –, além de diminuir ou aumentar certas distâncias.
Projeção descontínua – desenhar um mapa na projeção descontinua corresponde mais ou menos a colocar uma casca de laranja em pedaços sobre um papel: as partes ficam afastadas umas das outras, sendo impossível juntá-las perfeitamente. Nessa projeção, algumas áreas ficam cortadas, o que mostra como é difícil representar uma realidade esférica em uma folha plana.
Os mapas na projeção descontínua apresentam , em geral, exatidão e riqueza de detalhes, mas torna-se difícil calcular as distâncias por causa dos “cortes” ou interrupções. Assim ela tem as suas vantagens: para mostrar
, por exemplo, a distribuição das indústrias no mundo, as concentrações de populações ou cidades, esse tipo de projeção é muito bom. Mas possui também as suas desvantagens: para calcular distâncias e, principalmente, para mostrar toda a superfície da Terra em conjunto, com seus continentes e oceanos, essa projeção é falha.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
OS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS INDUSTRIALIZADOS
Não é apenas a maior ou menor quantidade de indústrias que define o subdesenvolvimento, mas principalmente estes dois elementos interligados: a dependência econômica-tecnológica e as grandes desigualdades sociais.
Existem atualmente alguns países do Sul, como a África do Sul, Formosa ou Taiwan, Coréia do Sul, México e Brasil, além de outros, em que a atividade industrial assumiu maior importância que as atividades agrícolas e mineral. São países nos quais a grande maioria da população vive em cidades e não mais no campo, e em que a classe dominante é composta principalmente pelo empresariado urbano (banqueiros, industriais, diretores de empresas estrangeira e de grandes empresas estatais) e não mais pelos fazendeiros e comerciantes exportadores, como ocorria no passado.
Mas o fato de serem nações industrializadas não significam que esses países superaram a situação de subdesenvolvimento. Pelo contrario: grande parte das empresas mais lucrativas na economia desses países são filiais de empresas estrangeiras e remetem boa parte dos lucros ao exterior. Seus melhores solos agrícolas não se destinam ao cultivo de alimentos para sua população, mas ao cultivo de matérias-primas para as indústrias e, principalmente, à produção de gêneros de exportação, pois estão quase todos endividados e necessitam multiplicar suas exportações para tentar pagar suas dívidas.
As desigualdades sociais nesses países são muito acentuadas, tendo geralmente se agravado mais ainda com a industrialização; grande parte de suas industriais são multinacionais que lá se instalam em razão da mão-de-obra barata (baixos salários em comparação aos países do Norte) e outras facilidades (remessas de lucros, terrenos baratos, empréstimos facilitados, impostos reduzidos, ausência de um controle rigoroso da poluição, etc.).
Em média, um trabalhador em países como o México, o Brasil ou a África do Sul ganha, para realizar as mesmas atividades, cerca de dez meses menos que um trabalhador nos Estados Unidos, na Alemanha ou no Japão. Um trabalhador alemão, por exemplo, precisa trabalhar em média cerca de seus minutos para adquirir um litro de leite, 13 minutos para um quilo de batatas, 20 minutos para um quilo de arroz 20 minutos para uma dúzia de ovos e 45 horas para um televisor. Já um trabalhador brasileiro precisa trabalhar em média cerca de uma hora para comprar um litro de leite, uma hora e vinte minutos para um quilo de batatas, uma hora e quarenta minutos para um quilo de arroz, uma hora e quinze minutos para uma dúzia de ovos e 915 horas para um televisor.
Assim sendo, a expressão país subdesenvolvidos industrializado não é absurda; pelo contrário, é correta, pois industrialização não deve ser confundida com desenvolvimento.
Portanto, quando afirmamos que o Brasil é um país subdesenvolvidos industrializado, estamos dizendo que:
• É um país capitalista, isto é, possui uma economia na qual predomina as empresas privadas e na qual a busca de lucro é o objeto principal das decisões econômicas. A sociedade divide-se principalmente em duas classes sociais básicas: a burguesia (capitalistas), constituída pelos proprietários dos meios de produção (bancos, indústrias, fazendas, firmas comerciais, etc.) e que vivem dos lucros de suas propriedades; e o proletariado (empregados assalariados), que são os que vivem de seu próprio trabalho, pago sob a forma de salário;
• É um país capitalista mas dependente, ou seja, não é um país do centro do capitalismo mundial, e sim da periferia desse sistema. Isso significa que nele aparecem todos os elementos que caracterizam a dependência econômica-tecnólogica (relações comerciais desfavoráveis, grande dívida externa, presença marcante de empresas estrangeiras em sua economia, pouquíssima criação de tecnologia e muita reprodução de técnicas e padrões criados no exterior, etc.) e que as desigualdades sociais são bastante intensas;
• Pertence ao Sul, ao conjunto de países periféricos ou subdesenvolvidos, só que não ao grupo mais pobre e menos industrializado (tais como Uganda, Costa do Marfim, Paquistão, Bangladesh, Zaire, Bolívia e outros), e sim ao grupo de países subdesenvolvidos industrializados, juntamente com a Argentina, o México, a África do Sul e chamados “tigres asiáticos”(Coréia do Sul, Taiwan, Malásia, Hong Kong e Cingapura).
Existem atualmente alguns países do Sul, como a África do Sul, Formosa ou Taiwan, Coréia do Sul, México e Brasil, além de outros, em que a atividade industrial assumiu maior importância que as atividades agrícolas e mineral. São países nos quais a grande maioria da população vive em cidades e não mais no campo, e em que a classe dominante é composta principalmente pelo empresariado urbano (banqueiros, industriais, diretores de empresas estrangeira e de grandes empresas estatais) e não mais pelos fazendeiros e comerciantes exportadores, como ocorria no passado.
Mas o fato de serem nações industrializadas não significam que esses países superaram a situação de subdesenvolvimento. Pelo contrario: grande parte das empresas mais lucrativas na economia desses países são filiais de empresas estrangeiras e remetem boa parte dos lucros ao exterior. Seus melhores solos agrícolas não se destinam ao cultivo de alimentos para sua população, mas ao cultivo de matérias-primas para as indústrias e, principalmente, à produção de gêneros de exportação, pois estão quase todos endividados e necessitam multiplicar suas exportações para tentar pagar suas dívidas.
As desigualdades sociais nesses países são muito acentuadas, tendo geralmente se agravado mais ainda com a industrialização; grande parte de suas industriais são multinacionais que lá se instalam em razão da mão-de-obra barata (baixos salários em comparação aos países do Norte) e outras facilidades (remessas de lucros, terrenos baratos, empréstimos facilitados, impostos reduzidos, ausência de um controle rigoroso da poluição, etc.).
Em média, um trabalhador em países como o México, o Brasil ou a África do Sul ganha, para realizar as mesmas atividades, cerca de dez meses menos que um trabalhador nos Estados Unidos, na Alemanha ou no Japão. Um trabalhador alemão, por exemplo, precisa trabalhar em média cerca de seus minutos para adquirir um litro de leite, 13 minutos para um quilo de batatas, 20 minutos para um quilo de arroz 20 minutos para uma dúzia de ovos e 45 horas para um televisor. Já um trabalhador brasileiro precisa trabalhar em média cerca de uma hora para comprar um litro de leite, uma hora e vinte minutos para um quilo de batatas, uma hora e quarenta minutos para um quilo de arroz, uma hora e quinze minutos para uma dúzia de ovos e 915 horas para um televisor.
Assim sendo, a expressão país subdesenvolvidos industrializado não é absurda; pelo contrário, é correta, pois industrialização não deve ser confundida com desenvolvimento.
Portanto, quando afirmamos que o Brasil é um país subdesenvolvidos industrializado, estamos dizendo que:
• É um país capitalista, isto é, possui uma economia na qual predomina as empresas privadas e na qual a busca de lucro é o objeto principal das decisões econômicas. A sociedade divide-se principalmente em duas classes sociais básicas: a burguesia (capitalistas), constituída pelos proprietários dos meios de produção (bancos, indústrias, fazendas, firmas comerciais, etc.) e que vivem dos lucros de suas propriedades; e o proletariado (empregados assalariados), que são os que vivem de seu próprio trabalho, pago sob a forma de salário;
• É um país capitalista mas dependente, ou seja, não é um país do centro do capitalismo mundial, e sim da periferia desse sistema. Isso significa que nele aparecem todos os elementos que caracterizam a dependência econômica-tecnólogica (relações comerciais desfavoráveis, grande dívida externa, presença marcante de empresas estrangeiras em sua economia, pouquíssima criação de tecnologia e muita reprodução de técnicas e padrões criados no exterior, etc.) e que as desigualdades sociais são bastante intensas;
• Pertence ao Sul, ao conjunto de países periféricos ou subdesenvolvidos, só que não ao grupo mais pobre e menos industrializado (tais como Uganda, Costa do Marfim, Paquistão, Bangladesh, Zaire, Bolívia e outros), e sim ao grupo de países subdesenvolvidos industrializados, juntamente com a Argentina, o México, a África do Sul e chamados “tigres asiáticos”(Coréia do Sul, Taiwan, Malásia, Hong Kong e Cingapura).
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO - O SIGNIFICADO DE SUBDESENVOLVIMENTO
1. NO SISTEMA INTERNACIONAL - O CAPITALISMO, COMO SÃO DENOMINADOS OS TIPOS DE PAÍSES
2. EXPLIQUE PORQUE A INFLUÊNCIA DAS MULTINACIONAIS NOS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS ACABA SENDO NEGATIVA?
3. O QUE VOCÊ ENTENDE SOBRE DESIGUALDADES SOCIAIS?
4. POR QUE O COMÉRCIO EXTERNO OU AS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE OS PAÍSES ACABA SENDO DESFAVORÁVEIS PARA UM DOS LADOS?
5. QUANDO E PORQUE SURGIU O TERMO SUBDESENVOLVIMENTO?
6. QUAIS FATORES DETERMINARAM O SUBDESENVOLVIMENTO?
7. QUE OUTRO FATOR AGRAVA AINDA MAIS A DEPENDÊNCIA ECONÔMICA NOS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS?
2. EXPLIQUE PORQUE A INFLUÊNCIA DAS MULTINACIONAIS NOS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS ACABA SENDO NEGATIVA?
3. O QUE VOCÊ ENTENDE SOBRE DESIGUALDADES SOCIAIS?
4. POR QUE O COMÉRCIO EXTERNO OU AS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE OS PAÍSES ACABA SENDO DESFAVORÁVEIS PARA UM DOS LADOS?
5. QUANDO E PORQUE SURGIU O TERMO SUBDESENVOLVIMENTO?
6. QUAIS FATORES DETERMINARAM O SUBDESENVOLVIMENTO?
7. QUE OUTRO FATOR AGRAVA AINDA MAIS A DEPENDÊNCIA ECONÔMICA NOS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS?
TIPOS E ETAPAS DA INDUSTRIALIZAÇÃO
A industrialização, base da modernização ou da sociedade moderna, vem ocorrendo há mais de dois séculos. Consiste não apenas na criação de um número cada vez maior de indústrias, mas também no constante aprimoramento tecnológico, no domínio da cidade sobre o campo e da técnica sobre a natureza.
Esse processo sempre acarreta urbanização e maior divisão do trabalho entre as pessoas e entre as regiões, ou seja, surge um número maior de atividades e profissões, localizadas principalmente nas cidades, e as regiões do país e até mesmo do mundo passam a ser mais integradas ou interdependentes.
• A industrialização pode ser dividida em diferentes tipos e etapas. Do ponto de vista político-econômico, podemos dizer que houve três tipos: a industrialização clássica ou original, a planificada e a tardia, periférica ou retardatária. Quanto à complexidade tecnológica, ela pode ser dividida em três etapas ou fases: a Primeira, a Segunda e a Terceira Revolução Industrial.
Industrialização clássica – foi típica dos países do Norte. Como o próprio nome diz, foi a primeira, a original, bem anterior às demais. Ela começou na Inglaterra, em meados do século XVIII, e no século XIX se espalhou para outros países europeus e de outros continentes (Estados Unidos e Japão).
• Industrialização planificada – ocorreu apenas no século XX, nos países que adotaram economias planificadas, denominadas socialistas. Consistiu em um notável esforço para ampliar os estabelecimentos industriais, com amplo predomínio de empresas estatais e ênfase nas indústrias pesadas ou de meios de produção (siderúrgicas, metalúrgicas, petroquímicas, de cimento e outras). Esse tipo de industrialização existiu até o final da década de 1980, tendo sido importante para o avanço industrial de países como a antiga URSS, a antiga Alemanha Oriental, a Polônia, a Bulgária e outros.
• Industrialização tardia – foi a que ocorreu no Brasil, como o nome sugere, foi historicamente atrasada em relação à original – ela foi mais comum no século XX, e ocorreu em muitos países do Sul. Ela difere dos outros dois tipos por vários fatores:
• É feita em grande parte com capitais estrangeiros, enquanto nas outras predominam os capitais nacionais;
• Tem por base maior desenvolvimento das indústrias de bens de consumo, ao contrário da industrialização planificada, em que predominam as indústrias de base e, da industrialização clássica, caracterizada por um desenvolvimento equilibrado entre esses dois tipos, que criam sua própria tecnologia.
Este último fator é particularmente grave porque a tecnologia que os países do Sul adquirem dos países desenvolvidos – feita por eles e adequada a sua realidade – provoca fortes distorções na economia ao ser utilizada sem as adaptações necessárias. Por exemplo: os países subdesenvolvidos, de crescimento demográfico normalmente maior que os dos desenvolvidos, costumam importar tecnologia poupadora de mão-de-obra. Como resultado, sua população cresce a um ritmo maior que a da oferta de novos empregos, aumentando o desemprego e o subemprego.
Além disso, essa tecnologia importada é destinada à produção de artigos que custarão muito mais para a maioria da população do Sul, por causa da distribuição muito desigual da renda. No final, apenas uma minoria privilegiada acaba usufruindo esses bens “modernos”, que serão produzidos pelas indústrias mais avançadas.
Assim, esse tipo de progresso industrial dos países subdesenvolvidos baseada em capitais e tecnologia estrangeira, acaba por agravar as desigualdades sociais, pois aumenta o exército de reserva de trabalhadores desses países e facilita à empresas pagarem baixo salário, pois aumenta a concorrência entre as pessoas por qualquer emprego.
Esse processo sempre acarreta urbanização e maior divisão do trabalho entre as pessoas e entre as regiões, ou seja, surge um número maior de atividades e profissões, localizadas principalmente nas cidades, e as regiões do país e até mesmo do mundo passam a ser mais integradas ou interdependentes.
• A industrialização pode ser dividida em diferentes tipos e etapas. Do ponto de vista político-econômico, podemos dizer que houve três tipos: a industrialização clássica ou original, a planificada e a tardia, periférica ou retardatária. Quanto à complexidade tecnológica, ela pode ser dividida em três etapas ou fases: a Primeira, a Segunda e a Terceira Revolução Industrial.
Industrialização clássica – foi típica dos países do Norte. Como o próprio nome diz, foi a primeira, a original, bem anterior às demais. Ela começou na Inglaterra, em meados do século XVIII, e no século XIX se espalhou para outros países europeus e de outros continentes (Estados Unidos e Japão).
• Industrialização planificada – ocorreu apenas no século XX, nos países que adotaram economias planificadas, denominadas socialistas. Consistiu em um notável esforço para ampliar os estabelecimentos industriais, com amplo predomínio de empresas estatais e ênfase nas indústrias pesadas ou de meios de produção (siderúrgicas, metalúrgicas, petroquímicas, de cimento e outras). Esse tipo de industrialização existiu até o final da década de 1980, tendo sido importante para o avanço industrial de países como a antiga URSS, a antiga Alemanha Oriental, a Polônia, a Bulgária e outros.
• Industrialização tardia – foi a que ocorreu no Brasil, como o nome sugere, foi historicamente atrasada em relação à original – ela foi mais comum no século XX, e ocorreu em muitos países do Sul. Ela difere dos outros dois tipos por vários fatores:
• É feita em grande parte com capitais estrangeiros, enquanto nas outras predominam os capitais nacionais;
• Tem por base maior desenvolvimento das indústrias de bens de consumo, ao contrário da industrialização planificada, em que predominam as indústrias de base e, da industrialização clássica, caracterizada por um desenvolvimento equilibrado entre esses dois tipos, que criam sua própria tecnologia.
Este último fator é particularmente grave porque a tecnologia que os países do Sul adquirem dos países desenvolvidos – feita por eles e adequada a sua realidade – provoca fortes distorções na economia ao ser utilizada sem as adaptações necessárias. Por exemplo: os países subdesenvolvidos, de crescimento demográfico normalmente maior que os dos desenvolvidos, costumam importar tecnologia poupadora de mão-de-obra. Como resultado, sua população cresce a um ritmo maior que a da oferta de novos empregos, aumentando o desemprego e o subemprego.
Além disso, essa tecnologia importada é destinada à produção de artigos que custarão muito mais para a maioria da população do Sul, por causa da distribuição muito desigual da renda. No final, apenas uma minoria privilegiada acaba usufruindo esses bens “modernos”, que serão produzidos pelas indústrias mais avançadas.
Assim, esse tipo de progresso industrial dos países subdesenvolvidos baseada em capitais e tecnologia estrangeira, acaba por agravar as desigualdades sociais, pois aumenta o exército de reserva de trabalhadores desses países e facilita à empresas pagarem baixo salário, pois aumenta a concorrência entre as pessoas por qualquer emprego.
quarta-feira, 17 de maio de 2017
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO - A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
1. COMO ERA A QUALIDADE DE VIDA NOS PRIMEIROS ANOS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL?
2. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL PROMOVEU A DIVISÃO DO TRABALHO NAS FÁBRICAS. EXPLIQUE ESSE FENÔMENO.
3. COM O CAPITALISMO INDUSTRIAL, MUITOS PROBLEMAS ASSOLARAM AS COLÔNIAS RECÉM CONQUISTADAS. QUAIS FORAM ESSES PROBLEMAS?
4. A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA PRÓPRIA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ABRIU UMA NOVA FONTE PARA O ENRIQUECIMENTO DAS NAÇÕES. QUAIS ERAM ESSAS FONTES?
5. EXPLIQUE O QUE FOI A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. Resp.: 6. DIGA, O QUE É A DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO?
7. NO CAPITALISMO COMERCIAL QUAIS FATORES POSSIBILITARAM O ENRIQUECIMENTO DAS NAÇÕES EUROPEIAS?
8. COM A INSTALAÇÃO DE MUITAS FÁBRICAS NO PERÍODO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL QUAL FOI O IMPACTO NA NATUREZA?
: 9. ONDE E QUANDO OCORREU A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL?
10. AS PRIMEIRAS FÁBRICAS (REV. IND.) PRECISAVAM DE MUITA MÃO-DE-OBRA. DE ONDE VEIO ESSA MÃO-DE-OBRA E QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS PARA O ESPAÇO ONDE FORAM INSTALADAS?
2. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL PROMOVEU A DIVISÃO DO TRABALHO NAS FÁBRICAS. EXPLIQUE ESSE FENÔMENO.
3. COM O CAPITALISMO INDUSTRIAL, MUITOS PROBLEMAS ASSOLARAM AS COLÔNIAS RECÉM CONQUISTADAS. QUAIS FORAM ESSES PROBLEMAS?
4. A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA PRÓPRIA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ABRIU UMA NOVA FONTE PARA O ENRIQUECIMENTO DAS NAÇÕES. QUAIS ERAM ESSAS FONTES?
5. EXPLIQUE O QUE FOI A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. Resp.: 6. DIGA, O QUE É A DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO?
7. NO CAPITALISMO COMERCIAL QUAIS FATORES POSSIBILITARAM O ENRIQUECIMENTO DAS NAÇÕES EUROPEIAS?
8. COM A INSTALAÇÃO DE MUITAS FÁBRICAS NO PERÍODO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL QUAL FOI O IMPACTO NA NATUREZA?
: 9. ONDE E QUANDO OCORREU A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL?
10. AS PRIMEIRAS FÁBRICAS (REV. IND.) PRECISAVAM DE MUITA MÃO-DE-OBRA. DE ONDE VEIO ESSA MÃO-DE-OBRA E QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS PARA O ESPAÇO ONDE FORAM INSTALADAS?
O SIGNIFICADO DE SUBDESENVOLVIMENTO
Para algumas pessoas a expressão país subdesenvolvido industrializado parece absurda, já que se tornou comum a idéia de que os países subdesenvolvidos ou do Sul seriam não industrializados, economias agrícolas, e qualquer pais industrializado seria automaticamente desenvolvido ou do Norte. Essa ideia, porém, está errada. Vejamos o que significa subdesenvolvimento.
Em síntese, podemos afirmar que dois elementos são fundamentais para sua definição: a dependência econômica-tecnológica e as grandes desigualdade sociais.
A dependência dos países subdesenvolvidos em relação aos desenvolvidos significa que:
• Os países subdesenvolvidos, em geral, estão endividados, vivem em regime de dividas externas vultosas para com as grandes empresas financeiras internacionais, localizadas nos países desenvolvidos.
• Essas nações exportam (vendem ao exterior) produtos primários ou produtos industrializados com baixa tecnologia e importam (compram do exterior) produtos industrializados com elevada tecnologia; logo, estão em desvantagem em suas trocas internacionais, pois os artigos que importam têm preços maiores e valorizam-se maus com o decorrer do tempo;
• Grande parte das principais empresas localizadas nesses países são filiais de congêneres estrangeiras que remetem para suas matrizes boa parcela dos seus lucros. Isso provoca nos países subdesenvolvidos forte descapitalização (saída de capital), além de constante dependência tecnológica, pois essas empresas realizam pesquisas mais avançadas nos países desenvolvidos e apenas adaptam a tecnologia aos países subdesenvolvidos, cobrando para isso, o direito de patente.
Essa dependência tecnológica do Sul em relação ao Norte é agravada ainda mais pelo fato de os investimentos em educação e tecnologia serem muito precários nos países subdesenvolvidos , o que origina uma baixa qualidade média da sua força de trabalho e uma carência de novas ideias e técnicas apropriadas para suas realidades. Grande parte das ideias e técnicas produtivas implantadas nos países do Sul é apenas uma reprodução de padrões gerados nos países do Norte, para realidades diferentes, como exemplo, podem ser mencionadas certas técnicas agrícolas (como os agrotóxicos, a aragem dos solos) adequadas para os climas temperados que prevalecem nos Estados Unidos ou na Europa, mas bem menos eficazes nos climas tropicais de boa parte dos países; podem ser lembradas ainda as técnicas e a maquinas poupadoras de mão-de-obra, importantes nos países desenvolvidos, onde as taxas de natalidade são as mais baixas do mundo, mas contraproducentes em boa parte dos países do Sul, que ainda apresentam elevadas taxas de natalidade.
As grandes desigualdades sociais constituem o outro importante traço característico dos países do Sul, onde os contrastes entre a camada rica e a camada pobre da população são bem mais intensos. Pode-se afirmar, sem nenhum exagero, que, nos países subdesenvolvidos, em geral os ricos são mais ricos e os pobres são muito mais pobres que nos países desenvolvidos.
Assim pela dependência econômica-tecnológica dos países subdesenvolvidos, podemos notar como eles estão interligados aos países desenvolvidos. Na realidade dois grupos de países formam um único sistema internacional – o capitalista, que com o final do mundo socialista e com a globalização, tornou-se totalmente mundializado e cada vez mais interligado em todas as suas partes.
Como mencionamos, costuma-se reconhecer nesse sistema mundial duas partes ou dois mundos: o centro ou os países desenvolvidos, e a periferia ou países dependentes ou subdesenvolvidos. Há algumas décadas criou-se o termo semiperiferia para designar o grupo de países do Sul, no qual se inclui o Brasil, que possuem considerável industrialização e exportam produtos industrializados em grande quantidade. Essa noção de semiperiferia, portanto, é praticamente idêntica a de economias subdesenvolvidas industrializadas.
Em síntese, podemos afirmar que dois elementos são fundamentais para sua definição: a dependência econômica-tecnológica e as grandes desigualdade sociais.
A dependência dos países subdesenvolvidos em relação aos desenvolvidos significa que:
• Os países subdesenvolvidos, em geral, estão endividados, vivem em regime de dividas externas vultosas para com as grandes empresas financeiras internacionais, localizadas nos países desenvolvidos.
• Essas nações exportam (vendem ao exterior) produtos primários ou produtos industrializados com baixa tecnologia e importam (compram do exterior) produtos industrializados com elevada tecnologia; logo, estão em desvantagem em suas trocas internacionais, pois os artigos que importam têm preços maiores e valorizam-se maus com o decorrer do tempo;
• Grande parte das principais empresas localizadas nesses países são filiais de congêneres estrangeiras que remetem para suas matrizes boa parcela dos seus lucros. Isso provoca nos países subdesenvolvidos forte descapitalização (saída de capital), além de constante dependência tecnológica, pois essas empresas realizam pesquisas mais avançadas nos países desenvolvidos e apenas adaptam a tecnologia aos países subdesenvolvidos, cobrando para isso, o direito de patente.
Essa dependência tecnológica do Sul em relação ao Norte é agravada ainda mais pelo fato de os investimentos em educação e tecnologia serem muito precários nos países subdesenvolvidos , o que origina uma baixa qualidade média da sua força de trabalho e uma carência de novas ideias e técnicas apropriadas para suas realidades. Grande parte das ideias e técnicas produtivas implantadas nos países do Sul é apenas uma reprodução de padrões gerados nos países do Norte, para realidades diferentes, como exemplo, podem ser mencionadas certas técnicas agrícolas (como os agrotóxicos, a aragem dos solos) adequadas para os climas temperados que prevalecem nos Estados Unidos ou na Europa, mas bem menos eficazes nos climas tropicais de boa parte dos países; podem ser lembradas ainda as técnicas e a maquinas poupadoras de mão-de-obra, importantes nos países desenvolvidos, onde as taxas de natalidade são as mais baixas do mundo, mas contraproducentes em boa parte dos países do Sul, que ainda apresentam elevadas taxas de natalidade.
As grandes desigualdades sociais constituem o outro importante traço característico dos países do Sul, onde os contrastes entre a camada rica e a camada pobre da população são bem mais intensos. Pode-se afirmar, sem nenhum exagero, que, nos países subdesenvolvidos, em geral os ricos são mais ricos e os pobres são muito mais pobres que nos países desenvolvidos.
Assim pela dependência econômica-tecnológica dos países subdesenvolvidos, podemos notar como eles estão interligados aos países desenvolvidos. Na realidade dois grupos de países formam um único sistema internacional – o capitalista, que com o final do mundo socialista e com a globalização, tornou-se totalmente mundializado e cada vez mais interligado em todas as suas partes.
Como mencionamos, costuma-se reconhecer nesse sistema mundial duas partes ou dois mundos: o centro ou os países desenvolvidos, e a periferia ou países dependentes ou subdesenvolvidos. Há algumas décadas criou-se o termo semiperiferia para designar o grupo de países do Sul, no qual se inclui o Brasil, que possuem considerável industrialização e exportam produtos industrializados em grande quantidade. Essa noção de semiperiferia, portanto, é praticamente idêntica a de economias subdesenvolvidas industrializadas.
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